segunda-feira, agosto 30, 2004

Segredo.

(tirei a imagem porque me estava a lixar a configuração do blog toda... :( ... )
Se vos contar um segredo, sabem guardá-lo? Eu padeço muitas vezes deste mal, o mal do mundo da informação. São segredos que voam, espirais genéticas de segredos que não sabem ficar quietos, parados. Segredos com bichinhos de carpinteiro.
Segredos daqueles incontáveis, indizíveis.

(isto recorda-me uma frase que escrevi : “ apetece-me todos aqueles indizíveis momentos de sofreguidão” ...depois conto-vos ).

Dizia eu, contar-vos um segredo...? O próprio conceito de segredo é extraordinário :

do Lat. secretu
s. m.,
aquilo que se quer cuidadosamente ocultar ou se não deve dizer;
aquilo que não está divulgado;
mistério;
o que se diz ao ouvido de alguém;
confidência;
discrição;
lugar oculto;
esconderijo;
recesso;
prisão rigorosa em que se está incomunicável;
meio particular para se obter certo resultado;
mola oculta ou jogo de movimentos para se abrir um cofre, etc. ;
(no pl. ) jogo popular;
(no pl. ) a parte mais difícil de uma arte, ciência, etc. .

— de Estado: facto que, a divulgar-se, prejudicaria os interesses da Nação;
— profissional: sigilo a que estão obrigadas certas pessoas no exercício da sua profissão ou mister, tais como advogados, médicos, confessores, etc. ;
loc. adv.,
em —: particularmente.

O segredo é algo oculto. Pergunto eu, oculto de quem? Porquê?
Esta fastio de hipocrisia em crermos que somos todos a peça de dominó de 13 círculos, a estrela de 2 pontas, o quadrado de 3 lados, aborrece-me. Somos todos feitos da mesma matéria. Somos átomos, somos pó cristalizado em sangue corrente, moeda barata e fácil em dias que correm. Os segredos são sempre iguais, são sempre tão escabrosos quanto metade do que pensávamos. E se for metade, já estamos com sorte.
Oculto seria se ninguém o soubesse. E se ninguém o soubesse, não existiria, logo não seria oculto. O conceito de oculto é um buraco gigante na rede da ciência.
Oculto significa que apenas alguns o conhecem. E se alguns o conhecem, não é oculto para eles certamente. Ciclo vicioso. Paro por aqui.

Aborrecem-me os segredos. Aborrece-me a hipocrisia.

Se eu vos contar uma verdade, saberão aceitá-la?
Estou no fim de um feixe de dor, sou uma das pontas de um circuito dedicado de raiva e mágoa. E a comunicação está perfeita. A dor está a passar sem qualquer perda de informação.

Gostava de cancelar esta linha por favor. Não faço contratos vitalícios que me magoam.

quinta-feira, agosto 26, 2004

Silêncio.

Apetecia-me só o silêncio nos teus braços. O silêncio dos teus braços.
São apenas imagens presas na minha mente, que me fazem parar, pensar.
Silêncio no meio de tantos gritos. Imagens que teimam em girar, espirais de prazer que me inundam, baixinho.
Chhhh...abram a porta, deixem-me entrar nesse mundo de silêncio. Tragam-no para ao pé de mim. Ou levem-me até ele.
Levitem esta gravidade, imunda de pequenos nadas, de mim.

quarta-feira, agosto 25, 2004

Fios entrecruzados num telefonema de longa distância.Ou vão à merda.

Os telefonemas de longa distância são complicados. Palavras perdem-se, ideias rasgam-se. Comunicação interrompida. Um tu-tu-tu-tuuu que nos persegue sempre que queremos explicar o inexplicável.
Sim, porque nem tudo tem explicação lógica e científica. Nem todos somos semi deuses com control absoluto sobre o absurdo.

Absurdo : do Lat. absurdu
s. m.,
contra-senso, disparate, dislate, tolice, paradoxo;
adj.,
contrário à razão, ao senso comum;
ilógico, contraditório, paradoxal.

Na minha cabeça tenho várias chamadas de longa distancia a serem feitas. São, em suma, um monte de ideias que giram numa espiral latente à minha consciência. E por vezes, à inconsciencia também.
Frequentemente nem me preocupo em comunicar por inteiro. Basta transmitir algumas ideias universais, e espero que as pessoas entendam, como eu as entendo a elas. Grave erro. Somos animais com representações gramaticais diferentes, emitimos sinais que podem ser interpretados de forma contrária. E assim perco,novamente, a fé na humanidade . Com “h” pequeno, que não me apetece colocá-lo em grande. É muito trabalho por pouca coisa, ou arrogância minha.
E agora, com licença, que o Sr. do Gabinete está indisposto. E eu também. Pode ser que a indisposição sirva para eu adormecer para este referencial de mágoas que me chove em cima. Um laranjal de ideias ácidas que foi plantado sobre a minha cabeça. Agora as laranjas estão maduras e caem duramente neste chão, que por acaso é o meu céu. Injusto? Claro. Habitual? Lógico.

Nota de autor : para os menos entendidos, e para a minha querida avó, os telefonemas de longa distância não são, repito, não são para algum país da América Latina.
Atrever-me-ia a acrescentar (o blog é meu, acrescento o que quiser, vão à merda) : si, papi.

:)

sexta-feira, agosto 20, 2004

Encerrados para Férias

Bah. Não tenho pachorra para escrever. O Sr. do Gabinete esteve em trabalho intenso na primeira quinzena de agosto,enquanto
eu estava de férias, e agora parece ter desertado para parte incerta.
Não tenho inspiração, nao vejo luzes, nem oiço vozes.
Bah.
Claro que podia pegar em todos os textos que tenho guardados, para vos satisfazer a curiosidade, mas são textos demasiado
pessoais. Ou seja, se vocês não fossem uma cambada de curiosos perguntadores saberiam mais.
A curiosidade matou o gato.

(além disso são textos incompreensíveis sobre camisolas azuis. Ou sobre sexo.)

Odeio esta medianidade de caligrafia sem linhas transversais aos meus abismos.
Olha. Parece que ele voltou.
Bem-vindo.


terça-feira, agosto 17, 2004

Ovos à duzia. Ou o porquê de relacionamentos.

Mais um repost...hoje estou nisto.


[Apr. 4th, 2004|03:48 pm]

Esta cidade nao gosta de mulheres solteiras. Nem de homens. Façam a experiência. Desloquem-se à grande superfície mais perto dos vossos lares. Procurem meia duzia de ovos, e duas cabeças de alho.
Não vao encontrar.
Agora se procurarem uma duzia de ovos e 1K de alho, aí sim! Encontrarão a felicidade!
Sou só uma. Sou só eu. Mais ninguém. Não tenho ninguem para quem cozinhar. As minhas gatas comem Friskies. Porque é que tenho que levar 1K de alho??? Para apodrecer, junto com os meus sonhos?
Aproveito e penduro um à cabeceira em caso de ataque de vampiros...
(que digo eu? que disparates são estes? venham, Lestats deste mundo. Tornem-me a vida num baile vitoriano. Prometo levar roupa adequada.)
Deus quando fez os alhos, fê-los um a um! Não ao kilo!! Deduzo que há esperança, portanto...(?)

O poder dos Donuts.Ou a droga que as Whiskas têm.

A secção de bolos, pão e donuts não é, de facto, a melhor para se marcarem encontros com alguém. Especialmente com alguém que se atrasa. O cheiro a pão acabado de cozer, merendas, bolos frescos...
Os donuts. Eu resistirei. Vitoriosamente passarei no corredor dos ditos, e ignora-los-ei, com desprezo e desconsideração. Desdém quase.


A desmistificação do café de aromas.
...
Só isto. É um mito que acaba. Sabe a café. Cheira a caramelo, amaretto, irish cream. O raio que o parta. Sabe a café.
Doce droga.
Mas com adoçante e copo de água.
Para me adoçar a vida...que de tão amarga e fugida
Se escapou até de mim. Fugiu, a leviana.
Não voltou nunca. Se a virem, devolvam-na.
Está perdida. Mas feliz.

A instância amor. Um repost de um texto que me faz ficar boquiaberta.

[May. 23rd, 2004|11:26 pm]

Fazes-me doer o amor, disse eu recentemente. Como se o amor fosse uma instância em mim, que funciona mediante o meu estado de espírito. Ainda que este esteja mau, não encerra nunca, aquela instância. Funciona como a ajuda pública, é como uma ONG. Dá sem esperar receber, mas não haja duvida que funcionará tanto melhor quanto mais contribuições houver. Além do mais, estas têm que ser espontâneas. Ou então serei multada por essa outra entidade em mim, o orgulho. Afinal de contas, sou um pequeno órgão de soberania, eu.

Mas não haja dúvida. Fazes-me doer o amor. Pior que não esperar nada, é ver que realmente não podemos esperar nada, ao constatarmos que nada virá. É como num deserto. Não temos realmente a esperança de encontrar uma fonte no meio daquela areia. Mas não a encontrarmos de facto, custa ainda mais. Não porque o esperássemos. Afinal de contas estamos no meio de um deserto. Mas porque temos sede. E porque disso dependíamos. E lá bem no fundo, acreditamos em coisas boas que acontecem sem razão. Não só em más, mas também em boas. E essas coisas, já as sabemos inesperadas. Só as torna melhor ainda. Mas o facto de as sabermos inesperadas torna a nossa supresa num paradoxo impossível. Denomino isto de surpresas lógicas. Aquelas que, se acontecerem, deixam atrás de si um rasto lógico que se pode seguir, e que nós próprios poderíamos ter seguido se nos apetecesse.

Ainda assim, fazes-me doer o amor. Fazes-me doer o peito, zona física onde se encontra essa instância, o amor. Fazes-me doer esta ONG que trago dentro de mim, e que dá aos pobres. Tira de mim para dar aos pobres. Esta avaliação de “pobres” é que por vezes me trama. Porque, não raro, sou enganada. Os ditos “pobres” afinal são ricos patetas. Que bonita semântica esta. E que rica pateta me saí eu, com estas instâncias idiotas, impossíveis, impensáveis, insanas.

Mas fazes-me doer o amor. Não percebo esta esperança idiota de que ajudar pobres esfomeados de amor os traga para junto de mim. Eu, que até estou bem assim. Eu, que até durmo atravessada na cama, sou chata, deixo sempre a luz do corredor acesa e faço bolos de chocolate a horas estúpidas. Eu, que não preciso de ninguém, enquanto houver xanax e tempo para dormir. Eu, que estou tão bem assim. Adoro este discurso. Adoro este estado. Adoro, abomino estas letras. Rica patetice que saiu este crescente abecedaico. Ricos neologismos estes.

Fazes-me doer o amor. Pode ser que de tanto o dizer as ditas dores de que padeço fujam de tédio. Fujam como uma Lolita abusada e cansada de ser usada. Cansada de rimas e pleonasmos em esses.

Fazes-me doer o amor. Digo-o mais uma vez, como um exorcista que arranca o diabo deste corpo frágil, destes menos de 50 quilos que me pesam tanto ás vezes. Digo-o mais uma vez e pode ser que desapareças da minha instância, pode ser que preenchas ficha num outro órgão de soberania alheio.

Fazes-me doer o amor. E quando me fizeres doer o orgulho, irás passar sem esta ONG orgulhosa e teimosa. Pode ser que um dia venhas fazer contribuições de roupa usada, como eu própria fiz há uns tempos atrás. Não é suposto as ONG’s serem orgulhosas, pois não?


Manifesto feminino

Estou farta de morar sozinha. Sozinha, é como quem diz, não é?
Moro com um puto de 20 anos que pesa menos 4 quilos que eu….não sabe sequer mudar uma lâmpada. Não sabe fazer um ovo estrelado, quanto mais mudar uma lâmpada.
Estou farta de morar sozinha. Há aproximadamente 7 anos que moro sozinha. Há, portanto, 2555 dias que me desemerdo sozinha, se não contarmos os dias a mais nos anos bissextos.

Desde lâmpadas, a estores partidos, a inundações, já resolvi de tudo. Sozinha. Desde mudar-me de casa 5 vezes nestes 7 anos, desde encaixotar, desencaixotar, arredar, separar, limpar, pregar, furar, aparafusar, já fiz tudo. Canos rotos, autoclismos que não funcionam, esquentadores entupidos…Já provei que consigo, de facto, desenvencilhar-me sozinha. Agora chega. Quero um homem para me mudar as putas das lâmpadas.

Quero um macho a quem eu possa gritar “amoooooooor tá ali uma aranha”, ou “olha, podes ver aquele caixilho ali…?”. Quero um homem, que não só me leve o pequeno-almoço à cama aos sábados de manhã (aos domingos não quero, odeio domingos), mas também me saiba recitar Eugénio de Andrade. E que conheça Marques de Sade. E que saiba arranjar prateleiras desencaixadas. E que saiba funcionar com um berbequim.

Quero um homem que me engate todos os dias ao jantar. Que me namore na cozinha, me assedie enquanto faço gambas grelhadas, e que estenda a roupa quando lhe peço.

Quero um homem tente engatar-me todas as noites ao jantar (eu sei que já disse isto…só queria frisar…). E que a noção de engate deste homem não seja arrotar porque a comida estava boa… Quero um homem que, quando lhe pergunte “viste o meu exfoliante corporal?” não me responda “hãn?”.

Que saiba as propriedades de um chá de verbena. E de uma salada de giseng. Quero um homem que veja futebol comigo, e que vá as compras e me surpreenda com prendas de lingerie. Daquela clássica. E daquela ordinária também.
Quero um homem que ande de bicicleta e que me vá levar às aulas de ballet. Que me peça para dançar. Quero um homem que saia comigo á noite, e que goste de dançar Marvin Gaye.

Quero um pedreiro com uma alma de pintor, e a inteligência de um engenheiro, pode ser?

May. 25th, 2004|09:08 pm

Não consigo dormir, ou a verdade transcrita a uma realidade posterior.

Transcrevo para aqui uma das coisas mais bonitas que já escrevi...e das mais simples também.
As palavras especiais dão-se a pessoas especiais, e são essas mesmas pessoas que as inspiram. Ficam aqui mais umas linhas para ti, que voltaste a desaparecer.
Despacha-te a voltar, são demasiados anos dentro de mim para esta curta vida, cheia de separações.

"Não consigo dormir.
A única coisa que consigo pensar
é em enrolar as minhas pernas
à volta da tua cintura
E os meus braços
à volta do teu pescoço.
Mas tenho medo
que o teu corpo não aguente o peso do meu amor."
30 de Maio 2004

:)

segunda-feira, agosto 16, 2004

Céu de Verão

E não, não é um qualquer texto shakespeariano. É mesmo o céu visto do hemisfério norte.

Example

http://www.windows.ucar.edu/tour/link=/the_universe/Constellations/north_constellations.html&edu=high



Universos

Example

Entre a luz e a sombra, esta foto trouxe-me à memória recordações que não são minhas. São de outros corpos, de outras mãos que me tocaram e deixaram o seu rasto indelével e incompreensível na minha mente. Pontos de luz que formam mapas de constelações esquivas, alheias ao méu universo.
Alguém através de mim, outras emoções na minha visão etérea e curta.

O pacote de belgas remanescente, ou os sentidos e a sua relevância transversal à nossa existência atípica. Ou não.

Eu apostava mais no "ou não". Considero os sentidos como um luxo, uma prenda que se saboreia, mas da qual não precisamos realmente. Como uma panqueca com natas batidas e gelado. E cobertura de calda de morango.

De qualquer modo, passemos ao título. Senão os títulos não serviriam de nada. E eles são linhas orientadoras, para não nos perdermos nos rabiscos de carvão e éter. Mesmo que tenham figuras de estilo absurdas, sem sentido. Existem na medida exacta em que nos bate o coração.

Não duvides nunca que ele bate.

Comi, então, uma bolacha belga do pacote remanescente. A bolacha era viajada.

Saborear é um trabalho da alma a partir dos sentidos (mas não precisamos mesmo deles, repito). Podemos saborear momentos que ficam associados a sabores ou cheiros. O sentido objecto ganha forma, mas perde-se na essência da existência indelével dos momentos na nossa memória.
Eles estão lá.
Podemos chamá-los a qualquer momento. Mas a imediatização do sentir é-nos incutida desde sempre. E este nosso pequeno sempre não nos permite trabalhar a existência de capacidades cerebrais, por si só.

A teoria é muita, já. Cansa-me e desgosto.
As bolachas ficam aqui, na minha boca.

domingo, agosto 15, 2004

Viagens de Avião. Tenho vertigens.

Estive no sofá a tarde inteira e vi o filme Heat. Um bom policial, que incluia uma promoção da companhia aérea "Robert de Niro" : fode-me uma vez e levo-te para a Nova Zelandia.

Nao arranjam uma dessas promoções para mim, não?

Aos poucos habituo-me a mim aqui. E lembro-me de que escrevi uma coisa muito gira há uns dias atrás.

É entediante ser eu, de vez em quando. Parecem borboletas atraídas para a luz que se vai extinguir.
Eu. Que vou acabar num futuro próximo.
Morte anunciada de uma personalidade moribunda de tanta riqueza.
Tenho tanto que não preciso mais de ti.
Distancia-te, obrigada.

(algures no inicio de Agosto, tenho que disciplinar a escrita com datas...)


Sim.

Liga o descomplicador e diz que sim. Vá lá. Nao compliquem.
Senta-te aqui e desliga o desumano em ti, deixa-te ficar e descansa a cabeça de tudo o que lá vai. O mundo gira sem ti, sabias? O movimento de translação nao pára porque estamos cansados.
Ouve este silêncio a correr. Aproxima-te de ti, deixa-te estar contigo.

Apetece-me dizer que sim. Só isso.

"Chh, cala-te, por um momento, só um momento. É uma coisa só nossa e ambos precisamos dela."
João Aguiar

sexta-feira, agosto 13, 2004

Mais do mesmo. Já li isto em qualquer sítio.

Percebi hoje o significado da frase "mais do mesmo".
Procuramos sempre aquilo que a vida não nos permite ter. Seja a pureza de gestos incompreendidos ou a ambiguidade de meias palavras, queremos mais do mesmo.


Transacção de almas.

Às vezes a cronologia é completamente inútil. Como palavras políticas que não significam nada.
No processo de transacção de almas é exactamente assim. Há pessoas que nascem com almas sintonizadas na mesma frequência, e outras que se sintonizam em certos momentos. Quando nos damos conta disto acontece a transacção de almas. Sabemos coisas que não devíamos saber, e mostramos coisas que não devíamos mostrar. Como se de repente passássemos a ter um poder visual metafísico, que nos permite sentir tudo à nossa volta.
Absorvemos tudo e quando já não aguentamos mais temos que expirar lentamente os desejos alheios.
Esta sintonia atrapalha as interacções...temos perfeita consciência do que se está a passar, e isso deixa-nos em situações desconfortáveis, socialmente inaceitáveis.
Somos puxados, arrastados para mundos pequenos, para emoções estranhas, para florestas densas de pensamentos alheios.
É difícil encontrar caminhos nessas florestas, e mais difícil é explicar como fomos lá parar, ou o que vimos. Porque nessas florestas nada é igual às metrópoles do interagir comum. Tudo isto se passa dentro de nós. Mas não é nosso. A dualidade instala-se, a pertença de algo alheio nasce, surge e confunde-nos. Teu, meu, junções a mais, com almas em corpos que nos são desconhecidos, na sua presença física.
Explica-te. Que fazes dentro de mim? Que faço eu dentro de ti?
Que dom é este? ( que maldição, corrijo-me).
Bem-vinda a dentro de nós, somos todos pontinhos brilhantes de luz, se conseguires sentir-nos poderás ver-nos.
Usa os sentidos.
Não dissocies a alma do corpo, somos únicos e completos.

Hoje pedi ao sol que se tardasse um pouco mais nos seus deveres matinais, mas ele foi inflexível. Nasceu, levou com ele a escuridão que me tocava na alma. (...)
Já não estou habituada a partilhar a alma, a não ser com a lua, que não me faz perguntas.

(...)



Estudo científico III

Sindrome de Phill Collins reinventado na sua versão mais simétrica a uma realidade próxima.

O que muda? Nós? Ou ficamos apenas com a alma atravessada na garganta, e com a lenta respiração ela foge-nos, fazendo-nos gritar baixinho os nossos desejos, como num sussurro...?
Será?



quinta-feira, agosto 12, 2004
Tem piada, o meu ultimo post chama-se "estou além".
Foda-se.

sexta-feira, agosto 06, 2004

Estou além.

Ontem estava na praia e o Sr. do Gabinete chamou-me. Corri desesperadamente em busca de uma caneta, revistei as malas todas olhei desesperadamente em volta...nada. Não encontrei uma caneta. Ponderei a hipotese de escrever com o meu baton de 22 €. Nao achei viável. Lápis dos olhos? Não estava afiado o suficiente.
O Sr. do Gabinete olhou para mim, rabiscou qualquer coisa num papel. Parecia que estava a tomar nota de algo...espero que tenha sido daquilo que me ia ditar.

Será que vai rescindir contrato comigo...? Ficarei eu entregue à mercê dos meus próprios pensamentos? Da minha própria criatividade?

Espero que não. Eu gosto do Sr. do Gabinete.
E espero que me dê trabalho a dobrar hoje, para compensar....

terça-feira, agosto 03, 2004

Funcionalidade

Estou disfuncional. Nem sequer posso dizer que não me sentia assim há muito tempo, porque nunca me senti assim. Nunca disse "estou bem" sentindo mesmo que estava.

Estou disfuncional. Apetece-me esta solidão que me permite estas linhas. Estou bem sozinha.
E sinto-o mesmo.

Estou disfuncional. Porque descobri que estava cega. Mais cega que a justiça que chega lentamente.

Estou disfuncional. Acrescento letras a estas já reescritas palavras para um pleonasmo sem sentido. Sim estou. Estarei.

Estou disfuncional, porque a tristeza destas letras se torna dispensável. Saberei eu escrever sem ela?

Estou disfuncional. Estarei mesmo?

Distância

Somos pessoas tão distantes das nossas letras. Somos uma concha tão fechada. Nada escapa a uma presença, mas escapa ao carvão, cibernético ou real, daqueles que nos suja os dedos.
Vejo-te. Vejo-vos.
Vejo-vos por trás deste fundo branco que hoje me cegou.


30-07-2004
Para algumas pessoas que dizem que eu sou uma antítese às minhas letras.

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